Finalmente o oitavo filme de Quentin Tarantino estreou, lá nos EUA. E digo “finalmente” não só porque estava sendo uma viúva de três anos desde Django, mas também porque a Diamond Films promoveu uma cabine de imprensa um mês atrás com a presença de Tarantino e Tim Roth. E o Cinescópio estava lá. E eu não podia conversar sobre o filme com ninguém até a estreia americana. IMAGINEM O SUFOCO.

Sim, esse dia foi louco
Sim, esse dia foi louco

Agora deixando meu drama pessoal e exagerado de lado, vamos falar do filme, SEM SPOILERS. Os 8 Odiados conta a história de oito personagens, nove se contar o cocheiro, que ficam presos numa diligência durante uma nevasca de proporções bíblicas e todos ali, menos o cocheiro, odeiam alguém com quem estão dividindo a sala. Seja porque esse alguém é um babaca, negro, bandido, velho de guerra ou por motivos que você só descobrirá no fim do filme.

Com este palco armado, o filme evolui como um típico filme do Tarantino, ou seja, com bons diálogos. Só que dessa vez é MUITO dialogo mesmo, acima da média. Até determinado ponto do filme, onde o primeiro tiro é dado, só temos conversa e mais conversa, mas não vejam isso como um problema. Os diálogos servem para dissecar os personagens e entendermos algumas de suas motivações e escolhermos para quem “vamos torcer”. Afinal, ali ninguém é boa gente. No meu caso foi o personagem de Samuel L. Jackson pelo simples fato de eles ser o Samuel L. Jackson. Mas ainda assim é uma decisão necessária e que acontece naturalmente. Você IRÁ torcer para algum daqueles odiados.

Outra coisa é que até pouco depois desse primeiro tiro, há um grande mistério cuja resposta é detida apenas por um personagem. E é aí que a trama começa a se desenvolver até o ponto que você acha que sabe a resposta e temos então o segundo elemento Tarantinesco, “o filme fora de ordem”. Sem dar mais detalhes, todas as peças começam a se encaixar. Se você assistisse o filme na ordem cronológica entretanto, veria que o roteiro é relativamente simples, mas saber pegar algo simples e transformar numa trama que te pregue na cadeira do cinema é um mérito e tanto do diretor.

Outro ponto positivo do filme é o humor. Tem humor até em sangue voando. O Tarantino mesmo disse para gente que repetiu uma determinada cena até ele achar que o sangue estava espirrando de maneira cômica. Não esperava menos dele.

O único defeito do filme para mim então, ficou sendo a quantia gigante de diálogos no começo, que por mais que eu tenha dito que ajudam a construir alguns personagens, me deixou com sono. Ok, eu tinha acordado de madrugada para chegar em São Paulo e pego quatro horas de trânsito, e isso cansa qualquer um, mas talvez o mérito da minha pescada durante o filme tenha sido do meu cansaço somado ao diálogo. Tanto que de uma cena do Samuel L. Jackson para frente eu acordei com a força de mil sóis. Sem contar um plot twist que VOCÊ NÃO VIRÁ CHEGANDO. Se dizer que sabia, é porque alguém te contou. Então, não mente que é feio.

Ao fim de três horas, o filme acaba e me deixa com a sensação de que me diverti pacas, além de deixar muitos “mistérios” ÓTIMOS para serem discutidos entre os amigos. Lembro de estar esperando o transfer com o Rolandinho do Pipocando e com a Lully de Verdade, e boa parte da discussão era “a carta”, “o crime”, “o xerife” e por aí vai. E como sempre digo, um filme que te faz sair da sala de cinema e continuar falando sobre ele, foi um bom filme para você.

Deixe seu comentário:

Deixe um comentário