Mais um ano se passa e mais um filme da Pixar chega. E por mais que o nome da empresa já tenha sido sinônimo de clássico instantâneo (WALL-E, Toy Story, Procurando Nemo, etc.), desde 2011 que a empresa andava com filme bons, mas nada mais do que bons. Talvez toda criatividade tivesse se esgotado em Toy Story 3, mas isso certamente acaba por aqui. Divertida Mente é um filme com cara da boa e velha Pixar. AMÉM!

Vamos começar falando do curta que passou antes, Lava. Só a Pixar mesmo é capaz de fazer você se emocionar se sentir aflição pelas emoções de um Vulcão. É sério. Eu não sei como eles fazem isso. O filme principal nem havia começado e eu já estava querendo chorar pelo pobre e solitário vulcão. Imagina só o que ainda vinha pela frente.

Divertida Mente então começa logo em seguida e nos apresenta uma criança chamada Riley e as cinco personificações de seus sentimentos em sua cabeça: Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo. Não só isso, toda uma mitologia de como as personalidades são formadas e as memórias construídas, salvas e até esquecidas é mostrada ao telespectador. Divertida Mente é sem dúvida alguma a melhor e mais genial representação visual da mente humana no cinema.

A história segue então com a personagem principal, a Alegria. Após a mudança de cidade de Riley e um pequeno problema envolvendo a Tristeza, esses dois sentimentos partem numa aventura pelos labirintos das memórias e imaginação para trazer a felicidade de volta para a garota. E eis o lindo detalhe deste filme, tudo acontece no microcosmos da mente de Riley. O mundo não está em perigo, não há vilão. Todos os problemas apresentados afetam única e exclusivamente a mente de Riley e a de seus pais, sem impacto algum no mundo. O que para outros filmes poderia ser um problema, nesse é um dádiva, pois isso não diminui em nada sua imersão na aventura e só reforça o quanto cada um de nós é importante. A importância do indivíduo.

Então essa é a moral do filme? Todo mundo é importante? Não! Divertida Mente possui tantas pequenas lições e tantas interpretações que este texto poderia durar para sempre. Eu enxerguei mensagens sobre amadurecimento, independência, a importância de todos sentimentos, o egocentrismo involuntário, auto-aceitação, o “não permitir que outros ditem quem você é”, etc. Essa é a outra mágica de Divertida Mente, enquanto crianças podem só se divertir com a aventura, os mais velhos terão uma infinidade de pontos para refletir.

Agora, o que me faz caracterizar Divertida Mente como “inesquecível” logo de cara é o mesmo que Toy Story fez comigo em 1995. Depois de assistir a história dos brinquedos que ganham vida, eu me pegava olhando para os meus e imaginando se eles estavam felizes na prateleira. Ou seja, eu levei o filme para vida. E é isso que Divertida Mente está fazendo. Ao sair da sala já presenciei crianças discutindo com seus pais sobre a estrutura da mente de cada um. Faz três dias que vi o filme, e minha irmã continua fazendo o mesmo. Na verdade, está virando padrão em casa. Quando alguém se irrita, logo dizemos para tirar o Fúria do controle. Se isso não é marcar a vida do telespectador, eu não sei o que é.

Outro ponto que me lembrou Toy Story, o terceiro filme na verdade, é que você vai chorar feito uma menininha. Você pode até se segurar, mas a conclusão final de Riley com seus pais, seu amigo imaginário e a epifania da Alegria no mínimo vão te emocionar ao ponto de se mexer na cadeira do cinema.

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