Eu demorei um pouco pra ver esse filme devido a algumas circunstâncias (apenas dublado e 3D aqui em Atibaia). Foi só então no domingo passado (14) , um mês exato depois da estreia, que fui me deparar com uma das coisas mais incríveis que vi nos últimos tempos: Mad Max: A Estrada da Fúria.

É surpreendente ver um filme desse hoje em dia nas salas de cinema. Um filme onde as cenas foram realmente feitas com carros, areia e explosões e que só utilizou 10% de ajuda dos efeitos digitais em seu corte final. Aqui o filme carrega os efeitos nas “costas” e não o contrário como estamos tão acostumados em filmes como Vingadores e Transformers.

Vi muitas pessoas falando que o filme não tem história e é só uma perseguição desenfreada, sem diálogos e sem sentido. Eu tenho pena de quem pensa assim. A Estrada da Fúria é um daqueles filmes que traz consigo a essência do cinema na sua forma mais crua e violenta possível. Nele, o reflexo da humanidade é exposto no seu limite, banhado a gasolina, motores e velocidade.

O antigo ser humano que levou à explosão de bombas nucleares deixando o mundo naquele estado é o mesmo ser humano que comete as loucuras naquele deserto em sua forma mais selvagem, apenas em busca de poder. É uma mostra de como a verdadeira face da humanidade está enterrada em cada um e quando expostos a situações de limite, ela toma as pessoas por completo. Não existem mais amarras sociais.

A questão da igualdade e liberdade da mulher, muitas vezes é tratada como simples objeto de consumo e meio reprodutor dos homens, é mostrada de um jeito cru deixando as situações mais impactantes para o público que não está acostumado com esse assunto social. O impacto é a melhor forma de trazer discussões como essa, pois hoje em dia vivemos cercados de imagens feitas pela grande mídia que não refletem a realidade vivida nas ruas.

Até a religião fica questionada destacada e usada como instrumento de manipulação do líder Imortal Joe, fazendo uma reflexão a algumas atitudes cometidas por fanáticos religiosos que estão espalhados pelo mundo. Elementos da sociedade são também utilizados para a manipulação, com referências a Coca Cola e McDonald, os novos deuses da atualidade e símbolos do consumismo desenfreado.

A Estrada que todos percorrem no filme é a estrada da vida, cheia de obstáculos, escolhas, frustrações e mortes. Qualquer um ali poderia ter desistido e assumido sua forma selvagem como o vilão do filme, seus guerreiros e até Max que vagava pelo deserto sem nenhum destino. Mas existem pessoas que não deixam o combustível da humanidade morrer. Em algum instante sempre haverá alguém que pare e pense: “É esse o nosso futuro? É para isso que lutamos tanto para sobreviver?”

A Esperança. Esse é o combustível que mantém as pessoas firmes em seus caminhos seguidos furiosamente sem parar.

O longa poderia ser preto e branco e mudo, apenas com a sua fantástica trilha sonora, assim como os primeiros filmes produzidos na história. Apesar de muitos só enxergarem a ação, coisas como questões sociais, filosóficas e antropológicas são discutidas nas nuances do longa. Tudo é contado com imagens de forma primorosa pelo diretor. Tudo. Com uma fotografia belíssima.

É por esse motivos que “Mad Max: A Estrada da Fúria” é o representante mais atual do cinema em sua essência dos filmes de Hollywood, o transformando no filme mais foda do ano até agora.

Espero pelo menos duas indicações ao Oscar.

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