Entendendo a Guerra Civil e sua importância no cinema

Semana passada foi revelado que Robert Downey Jr. estaria em Capitão América 3 e com isso a Guerra Civil começaria no universo cinematográfico da Marvel. Agora, quem nunca leu um gibi da Marvel está boiando no porquê de tanto alvoroço com o anuncio. Hora então de falar um pouco sobre a origem do arco, seus personagens e a possível repercussão nos filmes.

Aliás, como estamos falando de um arco no qual os filmes serão baseados, podem haver spoilers. Leia por conta e risco.

Estopim e Linhas de Frente

linha-de-frente

A Guerra Civil começou em 2006 nos quadrinhos e foi criada por Mark Millar e Steve McNiven. A história começa com um grupo de jovens e inexperientes heróis chamado Novos Guerreiros gravando um reality show em Stamford. Em um certo programa, os heróis enfrentam um grupo de super vilões escondidos numa casa suburbana e durante a luta um dos vilões é arremessado em um ônibus escolar de uma escola primária. O vilão em questão é Nitro, uma bomba humana, que fazendo jus ao seu nome explode a si mesmo, destruindo a escola, matando as crianças e boa parte da população da cidade. Os heróis tentam desfazer a bagunça, tanto fisicamente quanto politicamente, mas para o governo americano essa foi a gota d’água e é dado início ao Ato de Registro de Super Humanos.

Esse Ato implicava que toda pessoa com super poderes deveria ser um agente do governo, do contrário só haveria outras duas alternativas: prisão ou desativamento dos poderes. Como agente do governo, o super-humano seria treinado pelos melhores heróis do mundo e faria parte da Iniciativa, um programa nacional onde cada estado teria sua própria equipe de heróis. Obviamente também seria necessário revelar a identidade para o governo.

Naturalmente, nem todos foram a favor da ideia e surpreendente o principal herói opositor foi Steve Rogers, o Capitão América. Rogers acreditava que o Ato era um abuso de poder que ia contra os direitos de liberdade, que assim o governo ditaria “quem são os inimigos”, além do risco aos familiares dos heróis. Ele então começou a agir por debaixo dos panos e reunir heróis com o mesmo pensamento, como Justiceiro, Hércules e outros personagens de segunda. Do outro lado havia Tony Stark, o Homem de Ferro, que acreditava que o Ato de Registro de Super-Humanos era o próximo passo para colocar um fim na guerra entre heróis e vilões, ao mesmo tempo responsabilizando os heróis pelos danos colaterais causados durante suas empreitadas. Ao lado de Stark ficaram personagens “cabeça” como Sr. Fantástico e Homem-Formiga. Com as duas frentes de batalhas definidas, uma disputa entre os dois exércitos de heróis começou, com baixas e tristezas ao longo do caminho.

A Troca de Tiros

tiros

Apesar da Guerra Civil ter se espalhado por todas as revistas da Marvel na época, o único grande impacto foi com o Homem-Aranha. Isso deixa o universo da Marvel nos cinemas com certas complicações, já que o Aranha que é peça chave do arco está nas mãos da Sony. Existem rumores entretanto de que as duas empresas estariam negociando o compartilhamento do personagem, mas se concretizado, esse encontro só deverá acontecer lá pra 2020, tornando impossível a sua participação em Capitão América 3.

O acordo entre Marvel e Sony rolou e o Aranha irá aparecer em Capitão América: Guerra Civil. Agora se o personagem sofrerá o mesmo destino dos gibis não é certo. E na verdade, até improvável.

Voltando aos quadrinhos, o Homem-Aranha tomou partido do Homem de Ferro com seu “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. A grande bomba foi então quando o aracnídeo compareceu a uma conferência de imprensa e revelou ao mundo que era o Peter Parker. A intenção foi boa, mas execução nem tanto. Todos os vilões do Homem-Aranha foram atrás de Peter, ele perdeu seu emprego e saiu na mão com Tony Stark ao perceber que o Ato não funcionava como deveria. Mais tarde, graças a um feitiço tecnológico criado por Doutor Estranho e Sr. Fantástico, a humanidade esqueceu a identidade do Homem-Aranha.

Durante isso, o Capitão e seus aliados tentam combater o crime enquanto são caçados por uma força Pró-Registro. Os dois lados guerreiam e é revelado que o Homem de Ferro não só clonou Thor para dar uma vantagem ao seu grupo, como também empregou super vilões para caçar heróis não registrados plantando nanomáquinas em seus cérebros. Esses foram alguns dos erros que levaram o lado do Homem de Ferro parecer apenas um bando de vilões, enquanto o do Capitão América repleto de heróis. Eventualmente, numa luta derradeira em Nova Iorque, o Capitão América percebe que arrebentar com a cara do Homem de Ferro não faria o governo mudar suas políticas, além de que a guerra só está gerando mortes e destruição. Com isso ele se entrega e vai preso, o que o levou ao arco “A Morte do Capitão América”, onde Steve Rogers foi morto e substituído por Bucky Barnes, o Soldado Invernal. Steve voltou a vida posteriormente já que ele havia sido “morto” pelas Balas de Tempo do Caveira Vermelha. Lógica de gibi. =)

A história criou um panorama para o universo da Marvel mostrar os dois lados de um herói. Um onde viviam como celebridades, recebendo salário e treinamento. E no outro, heróis secretos lutando contra o crime e tentando ficar sempre um passo a frente de Tony Stark e seus Vingadores.

Guerra Civil nas Telonas

natasha

Obviamente, muitas mudanças terão que ser feitas para o arco encaixar no cinema, especialmente pela falta do Homem-Aranha. Outro ponto é que no cinemas a identidade do Capitão América, do Homem de Ferro e do Hulk são públicas, e o Thor é ele mesmo o tempo todo, então não há ninguém ali para tomar qualquer partido. O foco pode muito bem ser a ideia de que agora eles vivem num mundo sem a  S.H.I.E.L.D., levando o governo a começar a intervir oficialmente no assunto. Basta lembra do final de Capitão América: O Soldado Invernal quando a Viúva Negra é interrogada pelo governo sobre seus atos durante o filme. O medo deles somado a toda a destruição de Vingadores: Era de Ultron pode facilmente levar a Guerra Civil.

Agora, algo que pode facilmente ser mantido nessa história toda é a morte do Capitão. Chris Evans tem contrato para mais três filmes (Vingadores 2, Capitão América 3 e Vingadores 3, provavelmente), enquanto Sebastian Stan (o Soldado Invernal) revelou certa vez que seu contrato com a Marvel poderia durar nove filmes. Ele pode muito bem ser o próximo Capitão América.

Enfim, a Guerra Civil é um dos maiores eventos dos quadrinhos dos últimos tempos. O arco não só dividiu os heróis, como os fãs, gerando várias discussões (sadias em sua maior parte). Essa saga introduz muito peso na história e conceitos do mundo real ao panorama de “super seres”. Vejamos como a Marvel lidará com isto e como fará o estopim em Capitão América 3. De qualquer maneira, eu irei contar os dias até lá.

Agradecimentos ao Anderson Clayton e João Rae pela ajuda com o texto.

Um resumão da obra em vídeo foi feito no YouTube:

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2 COMENTÁRIOS

  1. Acredito que houve uma errata ao dizer que o chris fará cap ame 3 e vingadores 3. Não seria vingadores 2?
    A propósito boa matéria 😉

    • Então, eu me expressei mal mesmo. Eu quis dizer que ele ainda vai gravar mais dois filmes. Dei uma ajeitadinha lá.

      Evans assinou para seis filmes, Capitão América 1, 2 e 3; Vingadores 1, 2 e 3. Provavelmente.

      E obrigado pelo elogio 😉

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