Cinerama, o antigo e pouco conhecido formato cinematográfico

Quando a televisão roubou o público do cinema nos anos 50 e 60, ele teve que se reinventar para que o público voltasse em escala. Foi quando surgiu o Cinemascope, o primeiro formato widescreen e o badalado Cinerama, que foi muito mal aproveitado. Vamos a ele.

Cinerama é o nome de registro de um processo cinematográfico de widescreen que trabalha com imagens projetadas simultaneamente por três projetores de 35 mm sincronizados para uma tela gigantesca e curva.  Foi o primeiro de uma série de processos introduzidos nos anos 1950, época da reação do Cinema ao avanço da televisão. Sua denominação combina as palavras cinema e panorama, já que o objetivo do processo era dar ao amante do cinema uma “visão panorâmica” do que se passava na tela, fazendo com que o espectador se sentisse participante do processo.

O sistema original envolvia três câmeras sincronizadas dividindo um único disparador de Câmera. O processo foi posteriormente abandonado em favor de um sistema de disparo de 65 mm através de uma única câmera.

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Como funcionava a projeção do cinerama

O Cinerama foi inventado por Fred Waller, fruto de longos anos de pesquisa. Waller inicialmente desenvolveu um sistema de projeção chamado “Vitarama” para a indústria petrolífera e apresentada na Feira Mundial de Nova Iorque em 1939, com 11 projetores. Uma versão com cinco câmeras foi usada durante a Segunda Guerra Mundial.

Nos cinemas, os filmes em Cinerama era projetados de três cabines de projeção, postas na mesma disposição que as câmeras, em uma tela extremamente curva. Cada uma delas projetava um terço da imagem total que compunha a cena. O processo, no entanto, nunca conseguiu eliminar de todo as “emendas” que ficavam aparentes no ponto onde as imagens se alinhavam. Ainda hoje, em alguns lançamentos em DVD de filmes executados neste processo, pode-se perceber essa falha.

Mais recentemente o filme A Conquista do Oeste de 1962, foi relançado em DVD e Bluray, sem as emendas, retiradas digitalmente.

Câmera Cinerama
Câmera Cinerama

Em adição ao impacto visual das imagens, o Cinerama foi também um dos primeiros processos a usar múltiplos canais de som. O sistema, desenvolvido por Hazard Reeves, um dos investidores do Cinerama, tinha sua trilha sonora gravada em 6 (e depois 7) canais e depois reproduzida através de cinco alto falantes colocados atrás da tela. Um “canal surround” (depois dois) jogava o som por trás através de alto-falantes instalados na plateia.

Os primeiros filmes lançados comercialmente na técnica Cinerama estavam mais para “panorama” que para “cinema”. Normalmente eram documentários de longa duração, alternando imagens de diferentes pontos turísticos do Mundo (principalmente dos EUA) e algumas sequências com experiências feitas com o processo. O primeiro destes filmes This is Cinerama (1952), que no Brasil chamou-se “Isto é Cinerama”, abria com uma sequência gravada como se a câmera estivesse sentada no carrinho de uma montanha-russa e o espectador fosse essa câmera. A idéia era presentear a plateia com uma experiência similar a real.

O primeiro filme em Cinerama, o supracitado This is Cinerama, estreou em 30 de Setembro de 1952, no Teatro Broadway de Nova York. O New York Times colocou o lançamento em sua primeira página. Diversas personalidades estiveram presentes ao evento, incluindo o governador de Nova York Thomas E. Dewey, o violinista Fritz Kreisler e o Manda-Chuva de Hollywood Louis B. Mayer.

Os custos crescentes da feitura de filmes widescreen com a técnica das três câmeras fez com que Cinerama parasse de fazer filmes na sua forma original depois da primeira release do filme  A Conquista do Oeste em 1962. O uso do “Ultra Panavision 70” para certas cenas (como a sequência das corredeiras, no início do filme), depois passadas para a técnica das três câmeras, mostrou que uma imagem widescreen razoavelmente satisfatória podia ser obtida sem o uso das três câmeras. Consequentemente o processo original foi descontinuado.

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Pôster de divulgação de “Uma Batalha no Inferno” no Cine Comodoro

No entanto, o impacto destes filmes na tela grande não pode ser acessado através de TV ou vídeo. Por terem sido desenhados para serem projetados em telas curvas, a geometria parece distorcida na televisão.

Cinerama continuou através do restante da década de 1960 com processo “Ultra Panavision 70”. Os filmes rodados neste processo, com uma única lente, foram Deu a Louca no Mundo, (1963), Uma Batalha no Inferno (1965), A Maior Estória de Todos os Tempos (1965), Na Trilha da Aventura (1965) e Khartoum (1966).

Seguindo o uso do “Ultra Panavision 70″, o menor, mas ainda espetacular “Super Panavision 70” foi usado para os filmes Grand Prix (1966), 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968) e Estação Polar Zebra (1968), e Krakatoa, O Inferno de Java (1969), que também possuía cenas rodadas pelo processo Todd-AO.

Mais dois filmes foram rodados pelo processo “Super Technirama 70“, de menor resolução para releases em Cinerama: O Mundo do Circo (1964) e A Última Aventura do General Custer (1967). Na época, o que era alardeado como “Cinerama” já era um pálido reflexo do processo original de três telas.

No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o nome “Cinerama” foi usado como nome de companhia distribuidora de filmes.

O único Cinema aqui  a exibir filmes no processo Cinerama e os posteriores, foi o Comodoro Cinerama, na Avenida São João 1462 em São Paulo.

A sala foi inaugurada em 1959 e foi durante quase 03 décadas, a melhor sala de exibições do Brasil, encerrando as suas atividades em 1998.

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Cine Comodoro

A lista a seguir engloba filmes apresentados como sendo realizados “em Cinerama”.

  • Isto é Cinerama (1952) – primeiro filme lançado na técnica – 3-Strip Cinerama; relançado em 1972 em 70 mm Cinerama.
  • As Sete Maravilhas do Mundo (1956) – 3-Strip Cinerama
  • O Maravilhoso Mundo dos Irmãos Grimm (1962) – 3-Strip Cinerama
  • A Conquista do Oeste (1962) – 3-strip Cinerama, embora algumas sequências tenham sido filmadas em.
  • O Melhor dO Cinerama (1963) – 3-Strip Cinerama
  • Deu a Louca no Mundo (1963) – filmado em Ultra Panavision 70, apresentado em 70 mm Cinerama.
  • O Mundo do Circo (1964) – filmado em Super Technirama 70, apresentado em 70 mm Cinerama.
  • A Tulipa Negra (1965) – filmado em MCS-70; apresentado em 70 mm Cinerama apenas na Europa.
  • A Maior Estória de Todos os Tempos (1965) – filmado em Ultra Panavision 70; apresentado in 70 mm Cinerama.
  • Na Trilha da Aventura (1965) – filmado em Ultra Panavision 70; apresentado em 70 mm Cinerama.
  • Uma Batalha no Inferno (1965) – filmado em Ultra Panavision 70; apresentado em 70 mm Cinerama
  • Khartoum (1966) – filmado em Ultra Panavision 70; apresentado em 70 mm Cinerama.
  • Grand Prix (1966) – filmado em Super Panavision 70; apresentado em 70 mm Cinerama.
  • 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968) – filmado em Super Panavision 70; apresentado em 70 mm Cinerama.
  • Estação Polar Zebra (1968) – filmado em Super Panavision 70; apresentado em 70 mm Cinerama.
  • Krakatoa, O Inferno de Java (1969) – filmado em Super. Panavision 70 e Todd-AO; apresentado em 70 mm Cinerama.

Vejam o trailer Cinematográfico do filme A Conquista do  Oeste, e as emendas das três  telas, um problema que só foi resolvido com os processos digitais:

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