O Japão de Wolverine

Wolverine: Imortal é um exemplo perfeito para mostrar como o Japão é retratado em um filme estadunidense que sempre cai em lugares-comuns.

1) Tradição x Modernidade
O filme faz questão de mostrar esses dois aspectos culturais porque muitas pessoas ainda acreditam que o Japão seja um país de samurais e gueixas. Senão assim, pensam em japoneses de traje social comendo sushi todos os dias. Por isso, a personagem Yukio tem cabelos pintados e uma personalidade “malandra” ao mesmo tempo que se mostra submissa e respeitosa com seus superiores. Além disso você vê equipamentos de alta tecnologia em casas tradicionais japonesas (que não costumam ser iluminadas).

2) O choque de cultura
Para ilustrar mais ainda que o filme se passa no Japão, Wolverine precisa nos mostrar a cultura que não nos é comum. Então você vê tudo na cena de perseguição: o trem-bala, a Yakuza, casas de jogos, animê, karaokê, maid café. E para finalizar o hotel do amor porque, além de ser uma boa piada, mostra o fetichismo de um povo visto como respeitoso demais para haver perversões. É uma forma de fazer os outros pensarem “Ah! Então japoneses são assim também”.

3) HONRA!
Absolutamente todos os filmes estadunidenses com temáticas japonesas têm esse sentimento, mas muita gente acha que honra é algo individual quando na verdade é social. Honra é uma virtude tanto do indivíduo para a sociedade quanto vice-versa. É uma dignidade moral que não deve ser reconhecida porque se for, torna-se orgulho. Portanto, como é um aspecto cultural não verbalizado que precisa ser expresso no filme, um personagem é obrigado a falar algo artificial como “Você não tem honra!”.

Para finalizar, é bom que haja filmes assim. Apesar do filme ser bem “ok”, ele questiona o público sobre um povo tipicamente reservado. Críticas como “Japoneses não são assim” ou “Isso é estereotipo” só contribuem para questionarmos o japonês imaginário que todos pensam existir.

Ah, sim. Por incrível que pareça o filme foi rodado 90% na Austrália. =P

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