Eu sou o Homem de Ferro?

O Homem de Ferro pode não parecer, mas discute questões bem interessantes sobre a identidade de uma pessoa. Vamos por partes.

Para a sociologia, identidade é o compartilhar de várias ideias e ideais de um determinado grupo. No primeiro filme, vemos que Tony Stark é um bilionário fabricante de armas que não se importa com os usos de seus produtos. E não é de se esperar. Ele cresceu em um ambiente privilegiado cujas pessoas o prestigiam pelo intelecto, riqueza e produção de material bélico. Portanto ele é seu emprego e intelecto.

No segundo filme, vemos que o Homem de Ferro se tornou uma questão política porque não cabe a um civil manusear um armamento tão poderoso. Além disso, o vilão Chicote Negro aparece e mostra como Tony Stark não é especial, pois há pessoas tão inteligentes quanto ele. Para piorar, Tony é intoxicado com paládio, o único metal que o permite ser o Homem de Ferro. O filme também reforça a importância do pai de Tony dizendo como ele era um visionário. Portanto, ele é um Stark, uma arma e um mortal com limites.

Apelando para a antropologia, é necessário existir o outro e seus caracteres para definir por comparação e diferença sua própria identidade. Em “Os Vingadores”, há uma pequena discussão com o Capitão América sobre heroísmo que faz Tony ficar na defensiva. Afinal, sem a armadura, a única forma de Tony contribuir para a equipe é com seu intelecto, por isso ele precisa se sentir útil a todo momento, seja tirando sarro ou explicando algo.
Há um contraste bem relevante entre duas falas de Tony. Na primeira ele diz que é um gênio, playboy, bilionário e filantropo e na segunda ele fala “Nós não somos soldados”, ambas para o Capitão América. Em outras palavras, Tony é o que deseja ser, mas nega tudo que os outros digam que ele seja.

Por último, o terceiro filme finaliza perfeitamente a busca de identidade de Tony Stark, pois o foco é descobrir quem ele é sem a armadura. O filme ainda questiona sua própria qualidade baseada na recepção dos fãs. “Vocês assistem por causa do Homem de Ferro ou do Robert Downey Jr. ?”. O fato das armaduras poderem se movimentar sozinhas prova esse ponto. Portanto, ele é o Mecânico, uma pessoa que conserta e melhora as coisas.

No final das contas, Tony é uma pessoa que abraça o futuro, mas não a si mesmo. Para ele, o Homem de Ferro é tudo que Tony Stark oferece, incluindo os estilhaços dentro de seu corpo. Mudar significaria perda de identidade, por isso a fala “Eu sou o Homem de Ferro” é completamente diferente toda vez que ele usa. No primeiro filme, ele e o Homem de Ferro são seres distintos, mas no terceiro eles são apenas um.

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