Opinando: Godzilla (2014)

Este ano chegou aos cinemas Godzilla, a nova versão americana do clássico monstro japonês criado 60 anos atrás como uma metáfora a bomba atômica. O filme atualiza a história do Rei do Monstros para o tempo atual, mas não se esquece de ser fiel e respeitar o longa-metragem original de 1954.

No filme podemos ver como a nossa sociedade atual lidaria de forma “realista” caso monstros gigantes chegassem para ameaçar a raça humana. Por esta razão que o filme leva mais de meia hora só para o grandão aparecer de corpo inteiro em cena. Até esse ponto, o filme apresenta os personagens, o mundo e dá um sentido para a aparição e existência de monstros. Tudo isso contribui para o Godzilla ser apenas um coadjuvante no próprio filme, com os MUTOs tendo mais tempo em tela do que a criatura que dá nome ao filme. Tá certo que sempre foi assim, mas eu tinha esperança de que fosse a hora de mudar.

Algo que realmente me incomodou no filme são as cenas sem conclusão como quando Ford está pendurado por uma mão sobre o mar, segurando uma criança, um monstro ao seu lado, há um corte de cena e o rapaz aparece no meio da cidade. Ou quando Godzilla vai abocanhar o MUTO, há um corte e a cena volta para o pós-embate. Sem contar que são três monstros ameaçando o planeta inteiro e só meia duzia de americanos tentam fazer algo a respeito. Cadê a marinha japonesa?

O segundo arco também não me agradou muito. Um fator humano fantástico e bem construído é retirado abruptamente do filme e um novo e pobre sem construção prévia é inserido. O problema é que não há motivo para se importar com este novo fator que além de tudo não chega nem perto da atuação do primeiro arco, que aliás é quase que completamente jogado no lixo. Agora, o verdadeiro problema do filme foi achar que usar uma mecânica de 60 anos atrás daria certo.

Por outro lado, o visual das criaturas está impecável, as relações entre as criaturas é fenomenal, os efeitos estão deslumbrantes, a sonoplastia é irada, Godzilla tem o rugido mais amedrontador de toda a franquia e sem muito spoiler, seu último golpe no segundo monstro fez eu literalmente vibrar e sentar na ponta cadeira como uma criança.

Com bons efeitos e apenas alguns defeitos, o Godzilla deste ano é tão bom e profundo quanto um filme da franquia pode ser. Os fãs dos clássicos dos anos 50 e 60 deverão adorar, enquanto os novatos não se sentirão perdidos, visto que se trata de um reboot que explica muito bem as origens atômicas do réptil.

Deixe seu comentário:

Deixe um comentário