Opinando: A Máquina

A Máquina é uma ficção científica inglesa independente que conta a história de dois engenheiros que juntos desenvolvem a primeira IA auto-consciente. Vincente,o cientista veterano está desenvolvendo a tecnologia com o intuito de salvar a vida de sua filha, mas para isso está usando verbas e recursos do Ministério da Defesa. Após estar funcional, o projeto sai de seu controle quando o governo tenta usá-lo para o propósito pelo qual o financiou, bélico.

O meu aspecto preferido da ficção científica sempre foi as metáforas e questionamentos que o gênero pode trazer. E apesar do roteiro simples e orçamento baixo, A Máquina consegue fazer relativamente bem o questionamento do que é “estar vivo”. Um ser totalmente consciente com sentimentos e desejos pode ser considerado vivo? Salvar a mente de um ser humano e transportá-la para outro meio físico, é salvar sua vida? Estas são as perguntas que Dr. Vincent tenta responder após criar A Máquina, uma inteligência artificial modelada como a mente de sua assistente.

Além deste questionamento que apesar de bem feito deixou uma sensação de que poderia ser melhor aprofundado, o filme traz outros conceitos interessantes como soldados debilitados que tem suas vidas salvas com próteses e implantes mentais que embora os mantenha vivos, torna sua fala incognoscível. Outra vez levando o telespectador a questionar o sentido do “salvar a vida”.

Com uma trilha sonora espetacular ao estilo Blade Runner e uma direção meio retrógrada, o filme parece ter sido feito para os anos 80. Se A Máquina tivesse estreado há 20 anos nos cinemas, hoje ele provavelmente seria cult. Infelizmente, esse não é o caso e o filme parece deslocado no tempo, o que poderá fazê-lo cair facilmente no esquecimento.

Agora, antes esse tivesse sido o único problema do longa-metragem. Apesar de eu ter gostado bastante da atuação da Caity Lotz como A Máquina e da pequena Jade Croot como Mary, as demais interpretações são de medianas para baixo. Especialmente do protagonista, Toby Stephens, que nunca consegue me convencer em papel algum. Sem contar o óbvio vilão forçado que vive com cara de mau e a decisão tomada pelos soldados no final que também não funcionaram muito bem comigo.

Eu acredito que numa série de tv com uma verba um pouco maior no bolso, mais tempo e um roteiro um pouco mais polido, A Máquina teria sido uma ficção extremamente envolvente e profunda. Sei que falta de verba não é desculpa para personagens rasos e um roteiro simples, mas para uma ficção científica independente hoje em dia com menos de £1 milhão de orçamento, o filme está mais do que de parabéns.

https://www.youtube.com/watch?v=wF6l4LAmN8A

 

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