Opinando: Um Drink no Inferno (Episódio 1×03)

Quando falei do episódio anterior, afirmei que flashbacks provavelmente seriam recorrentes na série. Eu até estava certo. Neste episódio ainda temos flashbacks, mas apenas um e não inúmeros como no segundo episódio. Flashbacks ajudam a criar o background dos personagens, mas saber balancear é bom para que a história possa avançar. Infelizmente, ou não, mesmo com muito mais presente que passado, este foi um episódio que não avançou muito na história.

Logo de cara já começamos o episódio com um flashback dentro de um flashback. O irmão Seth Gecko batendo um papo com Carlos enquanto cenas de uma luta na cadeia rolam. Carlos oferece um serviço a Seth em troca de abrir as portas de El Rey, um “paraíso” onde seu perturbado irmão poderá viver tranquilamente. Já no presente, Carlos só aparece negociando uma “mercadoria”, mulheres. Todas lindas, semi-nuas e prontas para virarem comida de vampiros executivos que falam castelhano (viva a miscigenação).

Ainda no tempo atual, assim como no filme os irmãos levam a gerente do banco que assaltaram para um quarto de um hotel. Seth sai para comprar hamburguers e deixa Richie sozinho com a refém. Deve ter parecido uma boa ideia no momento. Se você viu o filme, já sabia como essa cena acabaria, mas como a série é mais mística, não foi tudo igual. Richie está vendo pica-pau, começa a pirar na batatinha, imagina a refém semi-nua, prova que possui poderes sobrenaturais, vê uma cobra saindo do buraco de sua mão, mata a refém, arranca seus olhos e coloca em suas mãos.  Ele realmente precisa ir de El Rey.

Enquanto tudo isso ocorre, Seth encontra sua namorada na lanchonete e eles obviamente transam no banheiro antes de trocar qualquer palavra, afinal é isso que pessoas normais fazem, certo? Ignorando isso, durante sua conversa aprendemos que sua namorada sem nome ajudou a planejar o assalto e que os irmãos eram mal tratados pelo seu pai. Richie sempre o protegeu e até salvou sua vida. Isso deixa claro porque Seth aceitou o trabalho do banco pelo irmão, apesar de toda sua loucura. E é assim que se aprofunda uma relação sem ter que apelar para flashbacks.

Não muito longe dali o carro da família Fuller pifa e eles vão pedir ajuda no mesmo restaurante onde coincidentemente o Patrulheiro Gonzalez está conversando com um estudioso sobre paganismo e rituais. E essa é toda a relação entre esses dois lados da história, até agora. Enquanto o carro é consertado, Kate Fuller lê um relatório da polícia e descobre que sua mãe morreu por insensatez ao volante de seu pai, um homicídio culposo. Quanto a conversa do patrulheiro, foi quase um duelo de quem atuava pior. O lado bom foi um aprofundamento maior na mitologia da série e na Santánico Pandemonium (Eiza González) que aparece em tudo que é material de divulgação da série.

Dito isso, dá para perceber que a história não avançou em quase nada. Uma refém morta e um policial com mais uma pulga atrás da orelha foi tudo que mudou. Em contraponto, houve aprofundamento na mitologia, na história dos irmãos, nos negócios de Carlos e na loucura de Richie. Ou seja, este episódio não tirou a série do lugar, mas nesse caso não foi tão ruim assim.

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