Niposcópio #01: Opinando sobre Kamen Rider Gaim (Primeira Parte)(Ep.1 – 23)

Você sabe o que é Tokusatsu? Bem, se você foi criança ou adolescente durante os anos 80 e 90 ou você sabe, ou apenas não está ligando o nome ao gênero. São os seriados de efeitos especiais japoneses que passaram aqui no Brasil naquela época. Talvez nomes como  Jaspion, Changeman, Kamen Rider Black e Cybercops, lhe sejam familiares. E caso você seja mais novo, já deve ao menos ter ouvido falar da versão americana de uma dessas franquias, os Power Rangers. Nesse texto vamos falar da atual série da franquia Kamen Rider: Kamen Rider Gaim.

Kamen Rider Gaim é a 26ª série da franquia Kamen Rider, e está no ar desde outubro de 2013. Como assim 26ª? É isso mesmo Kamen Rider Black e Black RX não foram os únicos “motoqueiros mascarados”, tampouco os primeiros. Gaim, ainda em exibição no Japão, é dirigido por Ryuta Tasaki, que já dirigiu muitos Tokusatsus, como por exemplo: Kamen Rider Agito e Kamen Rider OOO.

A trama de Gaim se passa em Zawame City, uma cidade muito movimentada, onde uma grande corporação chamada Yggdrasill se estabeleceu, causando nas pessoas a sensação de que estão vivendo numa “Cidade de Castelos” e para escapar desse sentimento, os jovens começaram a criar competições entre grupos de dança e de um jogo onde são usadas misteriosas Lockseeds que conjuram seres de outra dimensão chamados de Invess. Eis que um ex-dançarino da equipe Gaim, Kouta Kazuraba, que havia abandonado a dança para ajudar sua irmã com as despesas da casa, recebe uma mensagem de um amigo dizendo que quer lhe mostrar algo “interessante”. Chegando ao local do encontro, Kouta e sua amiga Mai dão de cara com um portal para uma floresta interdimensional, onde ele encontra os “instrumentos” que o transformam em Kamen Rider Gaim.

Já digo logo de cara, mesmo ainda estando na metade, Gaim é, sem dúvidas, umas das melhores séries da franquia Kamen Rider. Começando pelo enredo, que infelizmente devido ao fator Spoiler, eu não entrarei em detalhes. Mas, apesar de ser uma série infantil, é uma das mais maduras de toda a franquia, em que até atitudes moralmente duvidosas, podem ser a melhor opção para salvar o mundo. Se você não assistiu a série porque escolheram frutas como tema para a venda de seus produtos, não sabe o que está perdendo. Se você assiste Kamen Rider há muitos anos como eu, já deveria saber que tanto o tema, quanto o visual dos Riders não ditam quão boa ou ruim a série vai ser.

Uma coisa que a série tem de muito interessante, mas que deve ter afastado, e muito, os menos atentos, foi o seu começo em camadas. Falo isso porque para quem assistiu os dez primeiros episódios apenas superficialmente, só achou uma quantidade grande de Kamen Riders numa competição boba de dança.
Mas quem estava mais atento viu que esses episódios foram repletos de perguntas e pistas sendo jogadas aqui e ali o tempo todo. A começar pelo mar de incógnitas  do primeiro episódio, onde surgiram perguntas como: “O que será aquela floresta?”, “Quem é aquela mulher misteriosa igual a Mai?”, “Por que algo tão perigoso como as Lockseeds são comercializadas?”, “O que uma corporação tão poderosa faz numa cidade daquelas?” e principalmente: “Como uma ‘brincadeira’ entre jovens vai acabar dando naquilo que vemos na primeira cena da série?”. Foram essas perguntas que me instigaram a assistir Kamen Rider Gaim e do 11º episódio para cá estão tendo ótimas respostas.

Outra coisa muito boa na série são seus personagens, por serem carismáticos, não que sejam um poço de carisma, como já tivemos Eiji e  Ankh (Kamen Rider OOO), por exemplo, mas se comparados aos de sua série antecessora (Kamen Rider Wizard), em que todos os personagens juntos tinham o carisma de uma porta, dessa vez até que estamos bem servidos. Além de serem bem estruturados. O próprio protagonista Kouta, por exemplo, teve para mim uma das reações mais realistas que já vi em alguém que recebe um Cinto Rider. Ele começa agindo por impulso, depois fica abobado com os poderes e a transformação, fica altamente convencido devido ao poder, começa então a perceber que a coisa toda é realmente perigosa, teme por isso, até finalmente aceitar o poder que ganhou para agir de forma correta. Melhor que isso só o Ryotaro Nogami (Kamen Rider den-O) que saiu correndo do monstro, se borrando de medo.  Outro personagem que para mim foi uma grande surpresa e que merece ser mencionado é o Mitsuzane Kureshima ou Micchy. Ele começou mais ou menos, mas cresceu, e muito, dentro da série. É um personagem que tem grandes dúvidas sobre qual caminho seguir, oscilando entre eles. Acho que não vejo um personagem tão diferenciado desde o Kaiza em Kamen Rider Faiz.

O visual dos Kamen Riders da série está muito bom, embora com certeza vá ter aquele fã xiita que não gostará por não parecer um inseto. Mas fazer o quê? As armas/brinquedos também estão bem bacanas. A comédia está bem dosada, mesmo eu não sendo muito fã do tipo de humor dos japoneses. Mas considerando quem é o público alvo da série, eu não vejo nada de errado. Os efeitos especiais estão no nível de sempre.

Porém, nem tudo são flores. Óbvio que Kamen Rider Gaim não é perfeito. Temos uns poucos episódios onde o enredo não anda, nem nada bacana em termos de batalha realmente acontece. A trilha sonora não se destaca. Talvez tenhamos também um excesso de personagens, como o tal do Kamen Rider Knuckle que entrou para nada e fez coisa nenhuma. Em termos de atuação temos oscilações tremendas. Enquanto o Gaku Sano que faz o Kouta, é apenas okay, Mahiro Takasugi que faz o Micchy está mandando super bem(lógico que para os padrões de atuação que vemos em tokusatsus). Por outro lado o Yutaka Kobayashi que faz o Kaito, não atua pior porque não dá. Não vejo alguém me convencer tão pouco desde o Inoue Masahiro que fez o Kamen Rider Decade. Por sinal, o Kaito para mim é um dos personagens mais sem graça na série. Só fala em ser forte, e tem um passado triste, bem basicão. Outro personagem que apesar de sua imponência e convicção no que faz ainda está bem raso é o Takatora.

Então, é isso, se você nunca viu tokusatsu, ou não assiste desde que era criança, e bateu uma vontade de ver agora, lembre-se: é uma série para crianças e de uma cultura totalmente diferente da que estamos acostumados, então pegue leve. Já se você sempre assistiu e não deu chance ao Gaim por causa das frutas ou parou por causa das danças, dê uma chance. É tudo que digo.

Voltarei aqui com o texto da segunda parte, se a série não desandar daqui pra lá teremos um dos melhores Kamen Riders já jeitos.

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1 COMENTÁRIO

  1. Gaim está para se tornar o Kamen Rider mais incrível já produzido. O nível de detalhes no roteiro, o ritmo, tudo na série é um primor. É impressionante pensar como a série já se renovou pelo menos 2 vezes, e que já não tem NADA dos elementos que tinha no começo, e mesmo assim a mudança foi totalmente orgânica, sem nunca forçar nada ao espectador.

    Apenas lamento que não tem mais gente assistindo isso. Seja fã de tokusatsu ou não, creio que todo mundo deveria ver Gaim.

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