Opinando: RoboCop (2014)

Quase 30 anos após o clássico RoboCop – O Policial do Futuro, o diretor José Padilha nos traz uma versão totalmente repaginada e atualizada da franquia para uma nova era e um novo público. Pouca coisa além do conceito, nomes e pequenas referências foram mantidas da versão de 87, mas isso não é um defeito, longe disso. Como Padilha disse “Eu fiz o filme que eu queria. Não havia necessidade de regravar o original. Ele já existe”.

No filme, diversos Drones da empresa Omnicorp estão lutando como soldados no exterior e mantendo a paz . Raymond Sellars, CEO da empresa, quer trazer estas máquinas para solo americano e ganhar bilhões, mas a lei Dreyfus o proíbe por motivos éticos. Sellars percebe então que para mudar a opinião pública terá que colocar um homem dentro de uma máquina. Felizmente, apenas para ele, o policial exemplar Alex Murphy havia acabado de sofrer um acidente gravíssimo e é selecionado para este projeto e se tornar o RoboCop.

Com este argumento o filme mantém um excelente ritmo do início ao fim, da construção dos personagens ao clímax. Como num filme de super-herói, quase metade dele é focado na origem do policial cibernético e suas motivações.  As cenas são dinâmicas e o alívio cômico é bem balanceado com as cenas de ação, drama e investigação. José Padilha foi sem dúvida a melhor opção para direção. Os tiroteios e discussões deixam isto bem claro, apesar de algumas decisões como a esposa chorona, os laços com a família e o óbvio vilão final não terem funcionado comigo.

As decisões tomadas para discernir este reboot foram certeiras. RoboCop é mais ágil e utiliza uma moto, não um carro, por razões óbvias. O falso livre arbítrio e a ausência de emoções são “cientificamente” explicados e bem encaixados na trama. O visual preto do herói é por motivos táticos, e de Marketing, mas a tática vai toda pro saco quando o visor luminoso vermelho acende.  Claro que o filme tem outras escorregadas como essa e os vilões que acreditam que o RoboCop não enxerga no escuro, mas são detalhes totalmente passíveis dentro de sua proposta.

Resumindo, esqueça completamente qualquer experiência que já teve com a franquia. Com exceção da música tema e da breve aparição do visual clássico, nada mais remeterá ao passado. E isso é o jeito certo de vender o filme para um novo público. O terreno para uma nova sequência de filmes está armado e pela resposta do público, apesar da bilheteria não muito atraente, só nos resta esperar pela quase certa continuação.

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